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“Pequenas Histórias para Entreter”
Em www.bubok.pt

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“Apesar da incerteza que sentiam quanto ao estado de Freyja, alguns momentos depois de estarem sentados na Praça de Armas, em frente a uma mesa coberta de delícias e respirando o ar fresco da noite, Morten sentiu-se tão descontraído que seria capaz de adormecer ali sentado. Na verdade, o cheiro da carne quente misturado com os aromas do bosque, o vento suave, o ruído das folhas e, lá ao longe, as vozes alegres dos aldeãos, festejando um rico repasto, faziam com que fosse capaz de viver ali o resto dos seus dias.
Os três permaneceram em silêncio durante muito tempo.
O anão juntou-se a eles para comer. Comia sempre na companhia do seu rei e mesmo em presença de convidados tão estranhos, entendeu que devia fazê-lo.”


“Fiydin, apesar da aparente calma com que tentara tranquilizar o jovem rei, também não conseguia sossegar.
De volta ao seu mundo, encontrou tudo tranquilo. Ficou a admirar toda aquela paz por alguns momentos. Bem precisava, depois de tudo o que passara nos últimos tempos.
Sentou-se debaixo do imenso azul do céu, tentando contar as estrelas para se tranquilizar, mas sem conseguir. Morten continuava no seu pensamento, sozinho no meio daquele bosque.
Sempre ouvira histórias terríveis sobre os homens.
Sempre os vira como uma ameaça, embora nunca tivesse conhecido nenhum até encontrar Morten.
Lembrava-se de pensar na altura que, afinal, todas aquelas histórias terríveis só podiam ser mentira. Nunca poderiam ter sido protagonizadas por seres tão frágeis como aquele.
Mas claro que Fiydin não conhecia todos os humanos e Morten não era, com certeza, o mais perfeito exemplo.”

Mais um bocadinho…
“Do pouco que se entendera, numa altura em que o grupo estava fragilizado pela fome e pelo frio, os que se tinham mantido minimamente alerta diziam que tinham sido atacados por um exército de seres a que chamavam olec’s. Apesar da sua aparência de humanos, na realidade não o eram. Defendiam-se com armas não conhecidas do grupo de colonizadores, com tácticas inovadoras e com dons que os humanos não possuíam.
Os testemunhos diziam também que os olec’s tinham vindo do outro lado da Ilha, o lado não visível, e nunca até ali, haviam revelado a sua existência aos colonizadores.
Para os especialistas, esta lenda fora a forma como os colonizadores se defenderam da vergonha de não terem vingado naquela terra.
Mas para o povo aquela lenda era uma história verdadeira, até porque o isolamento da Ilha e o aspecto pouco convidativo haviam condicionado há muito o imaginário das pessoas.”

“A pesca era igualmente impossível. O mar tornava-se implacavelmente bravo e frio e de todos os que se haviam aventurado a enfrentá-lo, nenhum voltara para contar a história.
Daquela operação dependia a sua vida e agora que podia dizer, enfim, que tinha uma vida, não a perderia facilmente, pelo menos, não sem antes de a gozar um pouco.
Estava a acabar de preparar o último peixe quando um ruído forte lhe chamou a atenção.
Era como se algo pesado tivesse sido atirado para o chão com brutalidade.
Olhou em redor, procurando a razão do barulho, achando que, muito provavelmente, teria sido provocado por algum animal que se aproximara da casa, derrubando algo.
Mas não conseguiu descortinar nada.”