“Com sorte, talvez eles fossem menos destemidos que os seus antecessores e acabassem por fugir do rei e do seu povo sem ser necessário recorrer a um conflito. Ou talvez não. Pelo que ouvira contar nas lendas, estes pareciam muito mais preparados para resistir à Ilha. De qualquer modo, não se apercebera de nenhum armamento. Talvez por pensarem que a Ilha era totalmente deserta, e por não acreditarem nas lendas, tivessem decidido que não eram necessárias armas.
Os dois homens despediram-se e partiram para junto do grupo, enquanto Morten se fingiu ocupado com as culturas, vigiando-os pelo canto do olho. De relance, olhou para o bosque, percebendo que o jovem rei observava tudo escondido entre algumas das árvores mais frondosas.”

“Apesar da incerteza que sentiam quanto ao estado de Freyja, alguns momentos depois de estarem sentados na Praça de Armas, em frente a uma mesa coberta de delícias e respirando o ar fresco da noite, Morten sentiu-se tão descontraído que seria capaz de adormecer ali sentado. Na verdade, o cheiro da carne quente misturado com os aromas do bosque, o vento suave, o ruído das folhas e, lá ao longe, as vozes alegres dos aldeãos, festejando um rico repasto, faziam com que fosse capaz de viver ali o resto dos seus dias.
Os três permaneceram em silêncio durante muito tempo.
O anão juntou-se a eles para comer.”

“O jovem rei deu um salto involuntário na cama, como se tivesse sido sacudido violentamente. Sentiu um forte aperto no peito e soltou um grito. Parecia ser a única forma de aliviar a aflição que o assaltava.
O anão entrou a correr. Acordara com o grito gutural do seu rei e estava assustado. Nunca o ouvira gritar daquela forma.
O jovem rei estava sentado na cama, coberto de suor como se tivesse acabado de sair de dentro de água, respirando de forma ofegante. Os seus olhos esbugalhados, o cabelo completamente escorrido, espalhado pelo tronco.