“Afinal, ele não estava a fazer nada de extraordinário a não ser viver a sua vida calmamente, sem perturbar ninguém. Por outro lado, tive medo do modo como ele poderia ser recebido pelo nosso povo, portanto talvez fosse melhor esperar um pouco. Mas agora não podia esperar mais.
Se ele tivesse o azar de ser apanhado pelos aldeões, seria muito difícil explicar-lhes que aquele humano era um amigo e não um inimigo.”

“A refeição decorrera calmamente, quase como se se tratasse de um banquete de novos amigos, ainda tacteando o caminho para saber qual o melhor motivo de conversa. Era curioso, quer Morten, quer os outros homens, haviam fugido das duas únicas coisas que tinham em comum, o seu mundo e a Ilha, o que provava que a cautela dominava a conversa e, como tal, que nenhuma das partes confiava na outra.
Mas Morten conseguiu dominar o medo e aparentar uma tranquilidade que não imaginara ter. Já a noite ia adiantada quando deram a refeição por terminada e Morten pode regressar à sua cabana. Queria aproveitar aquela noite o mais que pudesse, descansar como nunca descansara, dormir como se fosse a última noite da sua vida, fechar os olhos e ficar a ouvir a madeira a aquecer e a estalar no fogo. Não lhe parecia que a guerra ia começar no dia a seguir, mas a sua batalha para impedir aqueles homens de ocuparem a sua Ilha já começara. E o dia seguinte era só o segundo de muitos ao longo dos quais dificilmente poderia usufruir da sua cabana.
Enquanto deitava a lenha no braseiro, Morten sentiu a presença de alguém e respirou fundo, de alívio.”