“Os Últimos a Sair”

“Os Últimos a Sair”

 

“João olhava para a paisagem verdejante que corria ao seu lado à medida que o carro avançava na auto-estrada e, por mais que tentasse, não conseguia perceber o porquê de o terem escolhido a ele. Certamente que existiriam pessoas mais indicadas para aquela missão. Mas não, tinham ido buscar o “João-Ninguém” para a cumprir.

Pelo canto do olho espreitou o PSP que o acompanhava no banco de trás.

Parecia um pouco alheio, mas João tinha a certeza que bastaria pensar em fazer um movimento mais inesperado para que o agente caísse em cima dele como sete cães a um osso.

A viagem decorreu calma, embora a alta velocidade, pois era preciso chegar a Lisboa o mais rapidamente possível.

– Afinal, o que é que se passa? Porque é que me vieram buscar?”

– Não acredito. Por mais que me tentes convencer, eu não acredito que tu perdeste todo o respeito pela vida humana. Isso não te aconteceu na Guiné, eu não acredito que te tenha acontecido aqui, por mais horríveis que fossem essas pessoas.

– Correia, entende uma coisa. Na Guiné, eu, tu e todos os outros, nenhum de nós tinha nada contra aquelas pessoas. Elas não nos tinham feito mal nenhum e o que fizeram dali para a frente foi fruto de uma guerra, não foi de um ódio pessoal. Nós executávamos ordens e eles também.

Aqui não. Aqui trata-se de alguém que… – João foi interrompido pelo toque do telemóvel de Correia.

 

in “Pequenas Histórias para Entreter” à venda na Bubok.pt

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