“Quando os Deuses Sorriem”/”When the Gods Smile”

“Quando os Deuses Sorriem”

 

A fortuna conduziu-me ao teu ser

O acaso colocou-te na minha alma

Os céus estavam pintados de cinzento

Escurecendo a cor das nossas veredas

E os deuses decidiram então brincar

No meio de todos aqueles trilhos verdes

No seio do aroma da terra encharcada

No coração das folhas bailarinas

Na música brotada do sopro do vento

Na brisa soprada pelas penas das aves

Na cegueira do amarelo dos malmequeres

No apego dos grãos húmidos da terra

Na pressa milenar das águas da ribeira

Na frieza macia da pele das pedras

Os deuses sorriram

As nossas almas viram-se como novas

Mas descobriram-se como gémeas

Exploraram-se e conheceram novos mundos

Universos deliciosamente egoístas

Que preservaram dentro dos seus seres

Como se de fórmulas mágicas se tratassem

Um eixo côncavo e outro convexo

Quebrando todas as leis da física

O Sol e a Lua num abraço hermético

A noite e o dia da terra do Nunca

A água e o vinho do néctar dos deuses

O deserto e o aguaceiro feitos prado

A areia que não se esvaia pelos dedos

A mão aberta que fecha o ar dentro de si

Os deuses sorriram

O dia que fora cinzento adormeceu

A voz cristalina dos invisíveis ouviu-se

Apelando ao reino da escuridão

Chamando alto o ansiado silêncio

As estrelas acenderam a luz da noite

Aquecendo a chama das nossas almas

Embalaram o repouso da nossa história

Ofereceram fulgor às nossas existências

A cor da Lua amparou os nossos sonhos

De uma vida distante desta vida

Preenchida pela ausência de outros

Uma manta desfeita pelo crepúsculo

E mais uma vez tecida a cada aurora

Aconchegando o nosso elo invisível

Os deuses sorriram

"Quando os Deuses Sorriem"

 

 

“When the Gods Smile”

The fortune led me to your being
Venture put you in my soul
The skies were painted gray
Darkening the color of our paths
And then the gods decided to play
In the midst of all those green rails
Within the aroma of wet earth
In the heart of the dancing leaves 
In music sprung from the breath of the wind
In the breeze blown by the feathers of birds
In the blindness of the marigold’s yellow 
In attachment of the earth moist grain
In the millennial rush of the waters of the stream
In the  cold softness of the stones skin

The gods smiled
Our souls saw each other like new
But they found themselves to be twins
Explored themselves and met new worlds 

Deliciously selfish universes 
That they preserved within their beings
As if they were magic formulas
A hollow shaft and a convex one
Breaking all laws of physics
The Sun and the Moon in a tight embrace
The night and day from  Neverland
Water and wine  in the nectar of gods
The desert and the rain made ​​meadows
The sand that does not fade through the fingers
The open hand that closes the air within it
The gods smiled
The grayish day fell asleep
The crystal-clear voice of the invisible one was heard 
Appealing to the kingdom of darkness
Loudly  calling  for the craved silence
The stars lit the night light
Warming up the flame of our souls
They rocked the rest of our history
Offered glow to our lives 
The color of the Moon cradled our dreams
Of a distant life from this  life 
Filled with the absence of others
A quilt undone by the sunset
And once again woven every dawn
Snuggling our invisible bond
The gods smiled

"When the Gods Smile"

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