“Dívida de Honra”

“Dívida de Honra” 

Luz de Lisboa

"Dívida de Honra"

“Era como se aquele homem estivesse lá para tomar conta de nós, a dizer-nos que ia ficar tudo bem.

Pouco a pouco, as próprias pessoas foram roubando os cartazes, levando aquele homem para casa, sem darem tempo ao Governo de os tirar. Eu tenho sete, todos espalhados pela casa. Até agora não consigo perceber exactamente o que nos fez confiar tanto naquele homem… em si. – Renato encostou a cabeça às almofadas. – Mas agora percebo.

– Não diga isso. Você não me conhece…

– O que sei chega-me.

Aquela imagem sempre presente dizia-nos que alguém estava a preparar qualquer coisa e qualquer coisa de bom.

Uma manhã, quando saímos para trabalhar, não havia imagem nenhuma e acredito que todos nós percebemos, de imediato, que aquele era o dia certo.

E foi. As tropas estavam na rua e mandaram toda a gente para casa. Muitos não se conseguiram aperceber, com a pressa de se recolherem, mas alguns ainda viram que os tanques tinham a figura daquele homem pintada.

– Que loucura…

– Talvez, mas assim que se espalhou a palavra as pessoas perderam o medo. Ao jantar, a Revolução estava consumada.

Ao longo de todo aquele tempo, os revoltosos tinham minado algumas das bases do sistema e depois acabou por ser relativamente fácil chegar ao Presidente. Sem os seus principais apoios, ele não podia fazer nada.”

 

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