A Solteirona Incompetente

“A Solteirona Incompetente”

Lola

Licenciada em história, entende que isso demonstra a sua superioridade em relação aos outros, mesmo sobre aqueles que, tal como ela, concluíram com sucesso o percurso universitário.

Inveja quem obtém o sucesso profissional, classificando-os como corruptos inaptos que ascenderam na carreira graças a favores e não à competência.

Acha que o facto de ser solteira é uma vantagem em termos profissionais face aos que têm filhos e não compreende a transformação que se opera nas pessoas quando passam a ter uma família; no entanto, nunca se voluntaria para fazer “horas extraordinárias” e considera-se vítima de perseguição quando o trabalho a obriga a exceder o horário.

Carmo, a irmã de Lola

Ciente das limitações de Lola, Carmo tenta tirar o maior partido possível das fragilidades intelectuais da irmã: convencendo-a que ela tem uma obrigação acrescida para com o clã, já que é solteira, responsabiliza-a pelos investimentos e pela gestão necessários à manutenção da propriedade rural, bem como por parte da educação das suas próprias filhas.

Não consegue admitir que as filhas sigam um percurso de vida diferente do seu e pretende que continuem as tradições e o “legado” da família.

“A Ilha”

 

“A Ilha”

“Olhou em redor.
Aquele local sempre fora o seu refúgio.
Estava repleto de tudo de bom que a vida

"The Island"


lhe dera, desde a espada do seu pai até
uma flor que Freyja lhe oferecera quando
se tinham conhecido. Pedaços do que vira
na sua longa viagem. Toda a sua vida
estava escrita naquele quarto.
Mas mesmo assim, não conseguia
tranquilizar a sua alma. Não conseguia
deixar de pensar em Freyja, de ver aquela
expressão nos olhos do Ansião, vezes e
vezes sem conta.
Deitou-se, depois de apagar, com um
sopro suave, a última vela. Na escuridão,
conseguiu sentir-se um pouco mais calmo,
embora não suficiente para dormir.
Ao longe, descortinava as vozes alegres na
aldeia.
Sentia raiva de toda aquela felicidade, de
toda aquela despreocupação. Queria ser
assim, um dos simples aldeãos, terminar o
seu dia de trabalho e regressar a casa,
para os braços da sua família.
Em vez disso, o seu dia de trabalho nunca
terminava e a família cujos braços
desejava não existia. E poderia nunca vir a
existir.”

in “A Ilha” de Luz de Lisboa

Disponível em

http://books.google.pt/books/about/ILHA_A.html?id=NBIg21vhGCAC&redir_esc=y

e nas Livrarias Cultura (Brasil)

“Dívida de Honra”

Dia dos Namorados

Valentine’s Day

“Dívida de Honra”

“- Mas de onde veio este homem? – perguntou Hugo a Catarina, que encolheu os ombros. De facto, era muito estranho.

Aquele sítio era completamente isolado, sem ninguém, sem aldeias nas proximidades e, de repente, ali vinha aquele homem, com uma roupa que nada tinha de rural e com um ar nitidamente urbano apesar de ultrapassado.

– Já reparaste no ar dele? Parece … Parece quase aquilo que a mãe costuma chamar um artista de cinema. – Catarina sorriu mas tinha que admitir que a mãe de Hugo tinha razão.

-Bom dia!

– Bom dia. – respondeu Hugo, apertando a mão de Renato com força. Apesar da grossa luva, conseguia sentir o frio da sua pele. Hugo olhou com atenção para Renato enquanto ele cumprimentava os seus colegas. Catarina foi a última.

– Peço desculpa por deixar a senhora para o fim. Este sítio faz-nos perder a noção das regras da cortesia. – disse, sorridente. Catarina sorriu de volta, achando-o encantador.

– Bom, devo dizer que esperávamos tudo menos encontrar alguém como o senhor por aqui?

– Como eu? O que quer dizer? – Catarina percebeu que se denunciara.

– Como dizer… O senhor não tem ar de quem vive aqui isolado. – Renato percebeu que ela estava a disfarçar e não conseguiu deixar de lhe achar graça. Ao pé dele, ela era uma miúda, uma miúda sardenta e engraçada, mas uma miúda.

– Então, não me trate por senhor.”

“Renato olhou-a enquanto conversava com um dos cientistas e achou que o brilho daquele rosto sardento parecia os primeiros raios de sol depois de uma violenta tempestade.

Afastou aqueles pensamentos o mais rapidamente que conseguiu.

Acabara de conhecer aquela jovem mulher, fora uma surpresa, há muito tempo que não via ninguém para além dos seus vizinhos, por isso era natural que se sentisse impressionado.

– Vão ficar muito tempo?

– Numa primeira fase devemos ficar seis meses. – respondeu Hugo, aproximando-se.

– Óptimo. Vamos ter muitas oportunidades de nos encontrarmos. Isso é muito agradável.

– O mesmo lhe digo a si. Não esperávamos encontrar aqui alguém. Estávamos à espera da mais total solidão.

– No que depender de mim, têm companhia sempre que quiserem. – Catarina gostou de ouvir aquilo. Renato estava disponível para se juntar a eles, uma ideia que lhe agradava muito.

– Eu tenho que voltar para casa, mas espero ver-vos de novo em breve.

– Claro. Até porque temos curiosidade de conhecer a sua terriola.

– Tenho a certeza que serão bem-vindos. – acrescentou Renato, despedindo-se sabendo que acabara de lhes mentir. Ou melhor, talvez não fosse bem uma mentira, mas dificilmente poderia garantir que seriam bem recebidos pelos seus vizinhos.

Acenou a Catarina, que lhe sorriu.

De repente, parecia que todo o peso que trazia na sua alma tinha desaparecido com a chegada dos cientistas.”

 

in “Dívida de Honra” de Luz de Lisboa

Disponível em

http://www.bubok.es/libros/188926/quotDivida-de-Honraquot

“My Dream of Eternity”

Dia dos Namorados

Valentine’s Day

Ao Bardo Druida - capa

My Dream of Eternity


“I would spend eternity like this

Weaving through the darkness of my eyes
The bright light of yours
Turning a sweet touch
In the most sacred of moments
Joining the river that runs through my veins
In the boiling lava that inhabits yours”

in “Ao Bardo Druida”

Available at

http://www.bubok.pt/livros/4496/Ao-Bardo-Druida–VolI