“Dívida de Honra”

Dia dos Namorados

Valentine’s Day

“Dívida de Honra”

“- Mas de onde veio este homem? – perguntou Hugo a Catarina, que encolheu os ombros. De facto, era muito estranho.

Aquele sítio era completamente isolado, sem ninguém, sem aldeias nas proximidades e, de repente, ali vinha aquele homem, com uma roupa que nada tinha de rural e com um ar nitidamente urbano apesar de ultrapassado.

– Já reparaste no ar dele? Parece … Parece quase aquilo que a mãe costuma chamar um artista de cinema. – Catarina sorriu mas tinha que admitir que a mãe de Hugo tinha razão.

-Bom dia!

– Bom dia. – respondeu Hugo, apertando a mão de Renato com força. Apesar da grossa luva, conseguia sentir o frio da sua pele. Hugo olhou com atenção para Renato enquanto ele cumprimentava os seus colegas. Catarina foi a última.

– Peço desculpa por deixar a senhora para o fim. Este sítio faz-nos perder a noção das regras da cortesia. – disse, sorridente. Catarina sorriu de volta, achando-o encantador.

– Bom, devo dizer que esperávamos tudo menos encontrar alguém como o senhor por aqui?

– Como eu? O que quer dizer? – Catarina percebeu que se denunciara.

– Como dizer… O senhor não tem ar de quem vive aqui isolado. – Renato percebeu que ela estava a disfarçar e não conseguiu deixar de lhe achar graça. Ao pé dele, ela era uma miúda, uma miúda sardenta e engraçada, mas uma miúda.

– Então, não me trate por senhor.”

“Renato olhou-a enquanto conversava com um dos cientistas e achou que o brilho daquele rosto sardento parecia os primeiros raios de sol depois de uma violenta tempestade.

Afastou aqueles pensamentos o mais rapidamente que conseguiu.

Acabara de conhecer aquela jovem mulher, fora uma surpresa, há muito tempo que não via ninguém para além dos seus vizinhos, por isso era natural que se sentisse impressionado.

– Vão ficar muito tempo?

– Numa primeira fase devemos ficar seis meses. – respondeu Hugo, aproximando-se.

– Óptimo. Vamos ter muitas oportunidades de nos encontrarmos. Isso é muito agradável.

– O mesmo lhe digo a si. Não esperávamos encontrar aqui alguém. Estávamos à espera da mais total solidão.

– No que depender de mim, têm companhia sempre que quiserem. – Catarina gostou de ouvir aquilo. Renato estava disponível para se juntar a eles, uma ideia que lhe agradava muito.

– Eu tenho que voltar para casa, mas espero ver-vos de novo em breve.

– Claro. Até porque temos curiosidade de conhecer a sua terriola.

– Tenho a certeza que serão bem-vindos. – acrescentou Renato, despedindo-se sabendo que acabara de lhes mentir. Ou melhor, talvez não fosse bem uma mentira, mas dificilmente poderia garantir que seriam bem recebidos pelos seus vizinhos.

Acenou a Catarina, que lhe sorriu.

De repente, parecia que todo o peso que trazia na sua alma tinha desaparecido com a chegada dos cientistas.”

 

in “Dívida de Honra” de Luz de Lisboa

Disponível em

http://www.bubok.es/libros/188926/quotDivida-de-Honraquot

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