“A Ilha”

 

“A Ilha”

“Olhou em redor.
Aquele local sempre fora o seu refúgio.
Estava repleto de tudo de bom que a vida

"The Island"


lhe dera, desde a espada do seu pai até
uma flor que Freyja lhe oferecera quando
se tinham conhecido. Pedaços do que vira
na sua longa viagem. Toda a sua vida
estava escrita naquele quarto.
Mas mesmo assim, não conseguia
tranquilizar a sua alma. Não conseguia
deixar de pensar em Freyja, de ver aquela
expressão nos olhos do Ansião, vezes e
vezes sem conta.
Deitou-se, depois de apagar, com um
sopro suave, a última vela. Na escuridão,
conseguiu sentir-se um pouco mais calmo,
embora não suficiente para dormir.
Ao longe, descortinava as vozes alegres na
aldeia.
Sentia raiva de toda aquela felicidade, de
toda aquela despreocupação. Queria ser
assim, um dos simples aldeãos, terminar o
seu dia de trabalho e regressar a casa,
para os braços da sua família.
Em vez disso, o seu dia de trabalho nunca
terminava e a família cujos braços
desejava não existia. E poderia nunca vir a
existir.”

in “A Ilha” de Luz de Lisboa

Disponível em

http://books.google.pt/books/about/ILHA_A.html?id=NBIg21vhGCAC&redir_esc=y

e nas Livrarias Cultura (Brasil)

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