“O Sonho da Minha Eternidade” – Dia Mundial da Poesia

“O Sonho da Minha Eternidade”

Ao Bardo Druida

Ao Bardo Druida - contra capa

Passava a eternidade assim

Tecendo com a escuridão do meu olhar

A brilhante luminosidade do teu

Transformando um doce toque

No mais sagrado dos momentos

Unindo o rio que corre nas minhas veias

À lava fervente que habita as tuas

Passava a eternidade assim

Protegendo a tua branda respiração

Da tempestade que emana da minha

Enredando o teu orvalhado sorriso

No calor alísio que envolve o meu

Moldando a aurora da tua derme

Com o crepúsculo da minha

Passava a eternidade assim

Plantando a bruma do teu cabelo

No profundo paul do meu

Colhendo com as minha mãos

A compassividade feliz das tuas

Erguendo um templo no teu corpo

Com a argila dócil que é o meu

Passava a eternidade assim

“My Dream of Eternity”

I would spend eternity like this

Weaving through the darkness of my eyes
The bright light of yours
Turning a sweet touch
In the most sacred of moments
Joining the river that runs through my veins
In the boiling lava that inhabits yours
I would spend eternity like this

Protecting your soft breath
From the storm emanating from mine
Entangling your dewy smile
In the trade winds that controls mine
Shaping the dawn of your dermis
With the twilight of my
I would spend eternity like this

Planting the mist of your hair
In the deep of my moor
Reaping with my hands
The happy humaneness of yours
Raising a temple in your body
With the sweet clay that is mine
I would spend eternity like this

Ao Bardo Druida - capa

Realidade Encantada

Ao Bardo Druida

Ao Bardo Druida - capa

“Realidade Encantada”

“Passeaste pela minha imaginação naquele tempo em que não sabia porque te queria tanto

Habitaste-me com demora mas cansaste-te de esperar que eu te dissesse para ficares

Partiste em busca de alguém cujo espírito acolhesse e abraçasse o teu até à eternidade

Saltaste de alma em alma numa demanda por quem te albergara sem nunca te ter

Vagueei pela vida acreditando que a tua lembrança nada mais era que uma quimera

Rumei pelos caminhos que me chamavam para o futuro que se mascarava de radioso

Atravessei montanhas desertas de ilusões com a certeza que nada teria para procurar

Arrastei a meu lado almas convictas de terem um lugar reservado no fundo da minha

Regressei ao princípio de surpresa

Seguiste o meu regresso de longe

Trilhei devagar pela tua lembrança

Aproximaste-te receando acreditar

Envolvi-te num enlaço constritor

Mergulhaste a tua alma na minha

Guardei o teu espírito no seio do meu

E da memória que não o era fez-se magia”

“Enchanted Reality”

“You walked through my imagination at that time I did not know why I wanted you so much
You inhabited me with delay but you wearied to expect me to tell you to stay

You left in search of someone whose spirit would receive and embrace yours until eternity
You jumped from soul to soul on a quest for the one that housed you without ever having you

I wandered through  life believing that remembrance was nothing more than a chimera

I headed in the ways that  called me for a future that was masked as bright
I crossed the mountains  deserted of illusions with the certainty that I had nothing  to seek
I dragged with me souls  that were sure  they had a place deep in mine

I returned to the beginning with surprise

You followed my return from far

I tread slowly through your memory

You came close fearing believe

I wrapped you in a constrictor embrace

You dip your soul in mine

I kept your spirit within mine

And the memory that was not turned into magic”

 
 

Os Últimos a Sair

Os Últimos a Sair

"Pequenas Histórias para Entreter"

João olhava para a paisagem verdejante que corria ao seu lado à medida que o carro avançava na auto-estrada e, por mais que tentasse, não conseguia perceber o porquê de o terem escolhido a ele. Certamente que existiriam pessoas mais indicadas para aquela missão. Mas não, tinham ido buscar o “João-Ninguém” para a cumprir.

Pelo canto do olho espreitou o PSP que o acompanhava no banco de trás.

Parecia um pouco alheio, mas João tinha a certeza que bastaria pensar em fazer um movimento mais inesperado para que o agente caísse em cima dele como sete cães a um osso.

A viagem decorreu calma, embora a alta velocidade, pois era preciso chegar a Lisboa o mais rapidamente possível.

– Afinal, o que é que se passa? Porque é que me vieram buscar?

Porquê a mim? – o PSP que conduzia o veículo olhou-o pelo espelho retrovisor.

 – Um fulano que se enfiou dentro da empresa onde trabalha e não quer de lá sair… – respondeu, voltando a olhar para a estrada.

– Bom empregado. E o que é que eu tenho a ver com isso?

– Ele matou o chefe e a secretária e parece determinado a não sair de lá sem fazer mais vítimas. – João engoliu em seco. Subitamente, fora transportado no tempo e no espaço e voltara àquele gabinete, àquele maldito gabinete onde fora tão humilhado, tão enxovalhado que chegara a sentir-se como uma barata nojenta a ser esmagada pelo pé do seu superior hierárquico.

A Solteirona Incompetente

A Solteirona Incompetente

A mania da perseguição é dominante na vida de Lola, até nas situações mais simples da vida, como quando é multada por ter estacionado o carro num lugar reservado a deficientes. Para Lola, a multa é completamente injusta, uma vez que estava disposta a retirar o carro, caso aparecesse algum deficiente a precisar de estacionar.

A boa educação é algo que defende acerrimamente, mas não tem qualquer noção de como se comportar socialmente. Fala muito alto, diz coisas inconvenientes e revela, à frente de todos, o que lhe foi contado em segredo. Coça constantemente os ouvidos e acha má educação molhar o pão nos molhos.

O Filho da Oliveira

O Filho da Oliveira

O seu andar era quase inaudível, caminhando como se não pousasse os pequenos pés no chão quente. Toda a aldeia se alegrava quando, logo depois de a manhã abrir os olhos, Lemboysha a atravessava, deslizando suavemente pelos caminhos de areia fina que mudavam de perfil todos os dias.

Na aldeia, clara e airosa como todos os recantos do mundo que têm o privilégio de serem banhados pelo Sol, todos se conheciam, sem excepção à regra. E o início do dia, bem cedo, tão cedo que muitos outros sítios não faziam ideia que aquela hora existia, era a altura ideal para sentir essa proximidade: a confusão de vozes agudas e graves trocavam cumprimentos com vivacidade, numa lengalenga acolhedoramente tradicional com tantos séculos de vida como a própria existência.

Todavia, e não obstante a presença reconfortante do Sol, a doçura do quente da areia, a calorosa proximidade do povo, a pintura da aldeia revelava alguns tristes sinais de pinceladas menos correctas.

Do lado oposto da aldeia, resguardada pelas montanhas, existia um outro povoado, em tudo igual à primeira. Os céus tinham desenhado aquela tela de modo a que uma fosse gémea perfeita da outra, como se a montanha fosse o espelho que reflectisse duas existências iguais.

A Solteirona Incompetente

A Solteirona Incompetente

Lola decide então deixar Pablo e conquistar Santiago, convidando-o insistentemente para sair, oferecendo-lhes pequenas lembranças, promovendo formas de se encontrar com Santiago fora do emprego e enviando mensagens de telemóvel e correio electrónico várias vezes por dia.

Farto de Lola, Santiago acusa-a de assédio sexual e consegue que ela seja sujeita a um processo disciplinar que a leva ao despedimento.

Apesar de tudo, Lola continua a acreditar que é uma vítima, contando com a concordância da família, que tenta desesperadamente casá-la. 

A Casa do Zu e da Lu

“A casa do Zu e da Lu”

Por Fada Madrinha

"A Casa do Zu e da Lu"

Alexandre, Diogo e Luísa, três pequenos amigos estão de férias em casa dos avós do primeiro.

Num extremo do jardim, existe uma pequena casa que se julga abandonada há vários anos.

Curiosos, os três amigos decidem explorá-la e descobrem que, ao contrário do que os adultos haviam dito, a casa não está abandonada.

Nela moram dois pequenos seres, o Zu e a Lu, um estranho casal que nasceu num mundo repleto de criaturas muito diferentes dos humanos e que se vão tornar amigos de Alexandre, Diogo e Luísa.

Os três meninos percebem que também os adultos, enquanto crianças, tinham conhecido o mundo do Zu e da Lu mas que, graças a uns “pozinhos mágicos”, acabaram por se esquecer de tudo.

Desta vez vai ser diferente e Alexandre, Diogo e Luísa nunca vão esquecer os dois seres estranhos e o seu mundo tão peculiar.