O Filho da Oliveira

O Filho da Oliveira

O seu andar era quase inaudível, caminhando como se não pousasse os pequenos pés no chão quente. Toda a aldeia se alegrava quando, logo depois de a manhã abrir os olhos, Lemboysha a atravessava, deslizando suavemente pelos caminhos de areia fina que mudavam de perfil todos os dias.

Na aldeia, clara e airosa como todos os recantos do mundo que têm o privilégio de serem banhados pelo Sol, todos se conheciam, sem excepção à regra. E o início do dia, bem cedo, tão cedo que muitos outros sítios não faziam ideia que aquela hora existia, era a altura ideal para sentir essa proximidade: a confusão de vozes agudas e graves trocavam cumprimentos com vivacidade, numa lengalenga acolhedoramente tradicional com tantos séculos de vida como a própria existência.

Todavia, e não obstante a presença reconfortante do Sol, a doçura do quente da areia, a calorosa proximidade do povo, a pintura da aldeia revelava alguns tristes sinais de pinceladas menos correctas.

Do lado oposto da aldeia, resguardada pelas montanhas, existia um outro povoado, em tudo igual à primeira. Os céus tinham desenhado aquela tela de modo a que uma fosse gémea perfeita da outra, como se a montanha fosse o espelho que reflectisse duas existências iguais.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s