“A Ilha” Luz de Lisboa

“O velho anão já não tinha forças para acompanhar as rápidas corridas do jovem príncipe. Principalmente depois de lhe ter contado pela enésima vez a história dos seus pais.

– Anda, porque esperas? – perguntou o jovem, olhando para trás.

– Meu príncipe, tem que me dar um desconto. Eu não consigo acompanhar o seu ritmo. Já estou velho para estas caminhadas.

– Vamos, eu dou-te uma ajuda. – respondeu-lhe o príncipe, pegando no anão e empoleirando-o nas suas costas, encaixado entre as suas enormes asas e envolvido pelos seus longos cabelos negros como a noite estrelada.”

 

“O Ancião que liderava a cerimónia elevou a voz, procurando chamar a atenção da multidão. Também ele dera pelo ruído e, tal como o rei e os aldeãos, não sabia do que se tratava, mas, fosse o que fosse, aquele casamento seguiria até ao fim e ele não deixaria que nada, mesmo nada, a interrompesse.

De repente, a alma de Freyja encheu-se de brilho, de um encantamento como nunca tivera, como se fosse rebentar. Não conseguiu controlar um sorriso e olhou para trás, segurando com força a mão do seu jovem rei.

Sabia que aquele ruído não lhe era estranho. Ali estavam eles, os seus amigos, os seus súbditos, o seu povo. Com as centenas de asas a baterem como nunca tinham batido, provocando uma suave brisa e um ruído que embalava as palavras das melopeias do coro.”

in “A Ilha” por Luz de Lisboa

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