A Mulher da sua Morte

A Mulher da sua Morte

“A Lua estava escondida por uma neblina, o que ajudava Bóris a camuflar-se. A zona era rodeada por algumas habitações de férias e, naquela altura do ano, era comum estarem habitadas. Bóris tinha a certeza que arranjaria sarilhos se fosse visto por ali àquela hora da noite, mas não conseguia deixar de lá voltar desde que se encontrara com aquela mulher pela primeira vez.

Sem perceber porquê, não fora capaz de lhe resistir. Sem qualquer explicação, o estranho toque dela, o cheiro que emanava e as suas carícias eram impossíveis de esquecer. E mesmo que o fossem, Bóris tinha sempre o pequeno golpe no ombro que ela lhe fizera. Por isso regressava todas as noites na esperança de a reencontrar.”

 

“Talvez não fosse daquela região, talvez tivesse querido apenas divertir-se uma noite com um gajo que estava tão maravilhado com ela que seria capaz de qualquer coisa para a possuir. Mas isso não o chateava nada. Por ele, aquela mulher poderia usá-lo quantas vezes quisesse.

Após várias noites sem a encontrar, e embora a sua vontade não diminuísse, Bóris estava prestes a desistir, convencido que ela desaparecera de vez da sua vida ou, quem sabe, tivesse sido apenas um sonho fruto do excesso de álcool. Por isso, decidiu que aquela era a última vez que a procuraria.”

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